quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dor de umbigo.

A agonia da plenitude...
Repousa em toda pena que tem meu travesseiro
 (de mim)

Amor não instantâneo, mas infinito por um instante.
Que sem querer me põem fundida e logo, distante.

Sigo cindida,
por Zeus, ferida,
Na lâmina da espada inconstante.

domingo, 16 de outubro de 2011

Pescado


Como pode um peixe vivo
ter tal balde de água fria?
Como pode um peixe vivo
Sentir teu mundo em pele fria?

Como poderei viver
com a tua
sem a tua
entre a nossa companhia.

Como poderei viver...
Como poderei viver...
Sentindo a tua
Vendo as tuas
Delicadas companhias.

Fazendo amor com o universo.

Há muito que pensava querer sucesso.
Mas hoje desejo reconhecimento:
do que faço, do que sinto, do que sou
- a vela, a luz e a sombra.

Ele me faz presente em cada instante de vida,
Me dá a mão pra mim mesma,
Me deixa sentir tanto sem deixar de me ser.
Aquele me tira do chão: cerceia.
E me destaca do que não posso viver sem: mim e eu.

A miragem deixa de sorrir assim que ponho os pés nela:
nada sinto e pouco vivo.
Sem mesmo os pés na água,
como poderia eu matar qualquer sede?

Corpo, Amor, Alma e Espirito nunca se juntam
..se não os pode sentir em cada inspirar
e expirar

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Sobre a Fuga e o Vento.

Eu queria uma pausa:


(    )

um descanso.
um recanto.

Onde eu pudesse cochichar,
em gotas de alma morrida (ou matada! ):

mas, lá estou
na amplidão sem paredes nuas:
vivente,
sobrevivente,
ardente,

eu queimo sem virar pó
eu inflamo em cada curva deste nó
eu pego, abraço e desatam: é só.


sábado, 17 de setembro de 2011

Still I Cling.

engatinho na teia,
tanto mais mexo
quanto enrosco

a natureza me demanda (!): entregue a mão.
mas a natureza, é natural.
mas a natureza, é imparcial.

acabo,
acabando
reticente e amando.
tudo o que são e o que poderiam ser.

agarrar
todo potencial que ninguém enxerga,
é embebedar-se do suco da aranha
é digerir-se da carne e se fazer alimento
da plenitude da alma
(de ou_trem)

Eu fico parada na plataforma,
digo adeus,
sem sentir as mãos.

Suzana Altero

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Minha Nota.

(Achei esse texto em folhas velhas, faz uns 7 ou 6 anos que escrevi, tinha uns 18 anos ou 17...Mas, achei que, mesmo adolescente, ele é muito agora e espero que não sempre)

Esqueceram de mim. E nem bem sei se cheguei a olhar assim, algum de perto.
Eu também ando na capital, mercadorias ainda me espreitam. Eu compro tudo: da lágrima teatral a performance da notícia. Eu compro mesmo dormindo: o sonho do eterno futuro e o medo. Eles me mandam correr e o despertador nem tocou ainda. Não precisa, eu pulo antes mesmo dele (Será que ele tá certo mesmo?).
É tudo o que me rodeia, mas não me repara... Apesar de me conhecerem, as vezes penso, mais do que eu. Sabem meus desejos... Tem minhas revoltas em camisetas estilosas...Meus medos, angústias, utopias que nem me deixam mais saber ao certo: serão de fato?. Sou a técnica da universidade mais cotada do país. Sou o terno Armani do empregado criativo que também é primo do dono.  Sou técnica, técnica e técnica. E assim, fico de lado pensando estar ao centro, fico de lado, mas sem cantos...Sem parede nua para encostar-se. Avulsa, mas ainda no atacado.
As notas que carrego no bolso são meu código de barras, é a nota que o mundo me dá. Mas... Os últimos serão os primeiros.
Meu Deus, me vendem palavras, caras palavras que me acariciam. Eu aceito. Aceito qualquer coisa, porque não estou aceitando nada.Esqueceram de mim, e agora, querem que eu também me esqueça.
Mas, é na sombra da curva e da moita. É na esquina da madrugada eterna. É no momento do toque viscoso na baleia e do fundo do mar , que existem em cada fração de choque entre mim-mesma e esse racional, que reside (não jaz!) a chance, a grande e pequenina chance do herói.

* Em itálico, citações de Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O vão

a pérola que não tenho
apesar dos grãos de areia que
...vemevão, vemevão...

a pérola que não tenho
a que não reluz
a que não ganhei

(...vemevão, vemevão...)

a pérola que não tenho
a constelação de mantos
aconsternada sobrevivente

(...vemevão, vemevão...)

a pérola que não tenho,
é só o ardido de defesa,
o manto atrás do manto,
a implosão de tentativas

que não se une, 
que não se salva,
que não transcente,
é o próprio mar revolto, 
é cada grão nao raivoso....
(nao amante)

que vemevão, 
que vem em vão.