sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Grata


a lágrima de sim
escorre
e deságua
sem secar

no campo de trigo
que doura o céu
que doura o campo
que doura
o que dura
e doura
deveras

a lágrima,
perfeita que é
quando não chora.

A lágrima,
perfeita que é
quando não conjugada.

A lágrima
perfeita, que é.


Deus chorou em plenitude
e ela nunca escorreu

.
.
.

Grata.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Do Amor Livre

E por acaso existe Amor que não seja Amor Livre ?
Primeiro, vê-se Livre e instantaneamente, se vê Amor.

O problema inexistente é: não se fazer Livre implica em não se reconhecer Amor. E, ainda assim, se faz amor, sem abrir os olhos. De luz bem apagada. Garantindo e mantendo o Medo.

Fazer esse amor só pode ser uma brincadeira, feito legos que se encaixam um no outro, sem nunca se reconhecer fundidos - e só fodidos mesmo. Não satisfaz porque não é, simples assim...Mas, é possível continuar brincando, assim como se continua brincando de liberdade pelo mundo afora (ou adentro). E brincadeira não tem risco, não tem problema, não tem ameaça. Só se vai na montanha russa com o cinto bem preso.

Eu não acredito em Amor Livre. Porque ele, na verdade, não precisa de crença.
Ele precisa da falta delas, do vazio. Ele precisa da falta de respeito completa, da falta de educação, de polidez e de teoria.  Ele precisa da falta até mesmo de mim e de você. Ele desconhece isso. E enquanto se desconhece isso, desconhece-se, e em confusão : toma legos pelo castelo. Os legos desmontam, o castelo não.

Essa escolha que nem mesmo existe, é, a todo instante: ser feliz ou não ser. Ou não Ser. Ensaia-se essa questão enquanto ainda não se vê Livre e epifaneia que essa pergunta é um paradoxo. Porque só é possível: Ser. E esta continuará sendo eternamente a certeza.

A única fuga para não ser é continuar brincando. Mas, continua sendo brincadeira, fantasia escolhida a dedo para o palco do instante - o barco Vicking, o pula-pula, o frio na barriga.

...

Em verdade, Alice, você não tem escolha alguma a não ser quebrar o relógio
e ser ao invés de não ser. Quem sabe assim, entende que não tem porque quebrá-lo: o relógio é um símbolo do Tempo. O Tempo é um símbolo de não ser.

Mas, Ser continua sendo a única possibilidade.
Assim como o Amor Livre.
Simplesmente, porque um é o outro e o outro é Um.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Source Temple

a dualidade só poderia servir para uma coisa:
enquanto se olha o divino
e se olha a si mesmo
percebe-se,
num instante fora do julgamento,
e assim, do tempo,
que não há diferença alguma.

e no dois
se esconde
escancaradamente
o que é Um

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ajuste as pupilas

Há um turbilhão nada turbilhado.
agulhas sem pontas
estouram o vazio disfarçado de bolhas.
A fragmentação
do que nem era
parece tremilicar
enquanto pulsa...

Há um burburinho
que não grita
que não chora
que não sofre.
Um burburinho feito de
olhar de criança
  se olha no espelho e
  de repente !
  aquele Sou eu.

Entre a firmeza
e a suavidade
ainda parece haver
um mapa a se decifrar
não decifrável
mas, completamente
e unicamente,
a experienciar.

Estou aqui
vendo o era-impossível acontecer
enquando abano as mãos
para o papel de identidade
que me encaixei
(nada acolhida)
e ainda, encolhida.

Não julgue
Não julgue
Não julgue

E a verdade se me apresenta:
- Muito Prazer.
e me junta...

É a folha que dança
ao invés de simplesmente cair
no chão.

É o sol que abre
quando cogito
frio

E me junta
E não julga
E me junta

E só assim
expandir, sem partir.
sem nunca retornar...

Ai a moldura
que reduzia o retrato
Ai da moldura
que reduzia o retrato
Cadê a moldura
que reduzia o retrato ?

Veja aqui o retrato
(não-retratado!)
Estendido, bem posto
gentilmente disposto
à palma do seu coração.

eu respiro
sabendo que não há volta
porque parti de onde não existe.

eu respiro
sabendo que não há volta
vislumbrando a porta
do que É.

eu respiro
e aguardo
a disposição correta
 ( nada milimétrica, mas exata! )
que permitirá estes não-olhos
ver
o que nunca mais
será
ignorado...
e só poderá, é claro
ser,
agora.

sábado, 20 de outubro de 2012

Sem Nome

Não é possível buscar qualquer coisa.
...qualqueres...
Nada se compara a liberdade
que é o amor.

O amor é 
a completa falta de condicionamento
a nudeza
nu
daquela donde (e onde!) brota
e donde (e onde!) só poderia brotar
qualquer criação.

Amar é não nomear.
Amor é ser.








e só.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Só Amanhece e não Amanhece só.

Quando disse para mim mesmo
- Já vai tarde...
Nem mesmo Tempo houve
(ou dor, ou sofrimento)

Tão o tarde foi
Tão de novo: Dia.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Sombra Fresca

Entendi,
assim,
o que é criação.

É explodir em Felicidade.
Sem mesmo
se machucar
Sem mesmo
se fragmentar.

Porque Criação
é uma alegria espreguiçada:
Ela estica, estica e estica
E tudo simplesmente é
e r e l a x a.

Não caibo..
no que pensei
por um torto instante torto
que cabia ser
(mim-guado.)

Olho para o que era
Sombra.
E descanso...
ali mesmo:

fresca sombra iluminada,
no fim de tarde do verão
espreguiça-se a plenitude orquestrada
nas asas da única visão.

simples assim jorra
o instante sem qualquer hora
simples assim pulsa,
essa Vida não avulsa.

Simples assim...
desarma,
o sem avessos Amor
que inala.