segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Calcanhar


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Metáfora que não chega


Sorrio pela ponta dos dedos
os dedos que sorriem pelo livro
o livro que sorri pro dedo

Deus meu,
meu coração não aguentou mais.

Quem mentiu que ele daria conta
de ser metáfora do Amor?

Pensando ser possível:
tercerizei um pouco.

Mas a trindade
é, também,
uma ilusão.

Fico aqui,
assim e então,
explodindo


em implosão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Entusiasmo ou En Theos.


Que abismo há
quando se dá
comprando
obrigado:

a(h!) étiqueta
aqui jaz O bonzinho.

Que abismo não há
quando se dá
só pra vetar,
mesmo que por um instante,
nada instantâneo,
que se esqueçam
da doçura

que
é
e, assim,
são.

Pensar e Salvar


Ai de quem me salvou
sem saber que salvava
Ai de quem pensou salvar
o que nunca precisou
ser salvo.
Ai de quem só pensou
e não salvou
(-se)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Grata


a lágrima de sim
escorre
e deságua
sem secar

no campo de trigo
que doura o céu
que doura o campo
que doura
o que dura
e doura
deveras

a lágrima,
perfeita que é
quando não chora.

A lágrima,
perfeita que é
quando não conjugada.

A lágrima
perfeita, que é.


Deus chorou em plenitude
e ela nunca escorreu

.
.
.

Grata.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Do Amor Livre

E por acaso existe Amor que não seja Amor Livre ?
Primeiro, vê-se Livre e instantaneamente, se vê Amor.

O problema inexistente é: não se fazer Livre implica em não se reconhecer Amor. E, ainda assim, se faz amor, sem abrir os olhos. De luz bem apagada. Garantindo e mantendo o Medo.

Fazer esse amor só pode ser uma brincadeira, feito legos que se encaixam um no outro, sem nunca se reconhecer fundidos - e só fodidos mesmo. Não satisfaz porque não é, simples assim...Mas, é possível continuar brincando, assim como se continua brincando de liberdade pelo mundo afora (ou adentro). E brincadeira não tem risco, não tem problema, não tem ameaça. Só se vai na montanha russa com o cinto bem preso.

Eu não acredito em Amor Livre. Porque ele, na verdade, não precisa de crença.
Ele precisa da falta delas, do vazio. Ele precisa da falta de respeito completa, da falta de educação, de polidez e de teoria.  Ele precisa da falta até mesmo de mim e de você. Ele desconhece isso. E enquanto se desconhece isso, desconhece-se, e em confusão : toma legos pelo castelo. Os legos desmontam, o castelo não.

Essa escolha que nem mesmo existe, é, a todo instante: ser feliz ou não ser. Ou não Ser. Ensaia-se essa questão enquanto ainda não se vê Livre e epifaneia que essa pergunta é um paradoxo. Porque só é possível: Ser. E esta continuará sendo eternamente a certeza.

A única fuga para não ser é continuar brincando. Mas, continua sendo brincadeira, fantasia escolhida a dedo para o palco do instante - o barco Vicking, o pula-pula, o frio na barriga.

...

Em verdade, Alice, você não tem escolha alguma a não ser quebrar o relógio
e ser ao invés de não ser. Quem sabe assim, entende que não tem porque quebrá-lo: o relógio é um símbolo do Tempo. O Tempo é um símbolo de não ser.

Mas, Ser continua sendo a única possibilidade.
Assim como o Amor Livre.
Simplesmente, porque um é o outro e o outro é Um.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Source Temple

a dualidade só poderia servir para uma coisa:
enquanto se olha o divino
e se olha a si mesmo
percebe-se,
num instante fora do julgamento,
e assim, do tempo,
que não há diferença alguma.

e no dois
se esconde
escancaradamente
o que é Um